quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conceito de Gestão Cultural

GESTÃO CULTURAL é um termo relativamente recente no cenário cultural brasileiro.
Pressupõe procedimentos administrativos e operacionais, mas não se resume a estes.
Pressupõe a gerência de processos no campo da Cultura e da Arte, mas lhes vai além.

Para melhor conceituarmos o campo da Gestão Cultural, podemos articulá-lo à idéia de mediação de processos de produção material e imaterial de bens culturais e de mediação de agentes sociais os mais diversos. Mediação que busca estimular os processos de criação e de fruição de bens culturais, assim como estimular as práticas de coesão social e de sociabilidade.

A GESTÃO CULTURAL articula ao menos três campos conceituais: Cultura, Economia e Urbanismo. Cultura entendida como expressões humanas das nossas necessidades simbólicas (materiais e imateriais) e de nossos desejos. Economia no seu sentido clássico: sistema de produção e troca de bens, de maneira a que todos tenham acesso à produção e usufruto do que é produzido pelo trabalho humano. Urbanismo enquanto ciência afeta às relações do homem com seus locais de práticas culturais, e –portanto- um campo de estudo articulado à História, à Sociologia e à Antropologia. Produção, recepção e percepção dos espaços e das relações que neles se dão; ou seja, enquanto estudos capazes de reforçar a sociabilidade e os elos de coesão humana. Entendendo a produção dos lugares tanto em sua dimensão física quanto simbólica.

O propósito é, de fato, conceituar o campo da gestão cultural com todos esses contornos amplos ou mesmo sem contornos precisos, pois é um campo de ação que envolve fatos humanos conscientes e inconscientes. O gestor da cultura é alguém que estabelece com seu objeto e com os sujeitos nele envolvidos relações de compartilhamento de gestão e de responsabilidades, e os entende como processos –dinâmicos, ambíguos e sujeitos a significações diversas.

Como operar neste campo de modo sistêmico? Simples... Entendendo que as realidades culturais –e todas são- precisam ser diagnosticadas segundo “escutas” precisas e desprendidas de idéias pré-concebidas. Entendendo que a realidade nos fornece a possibilidade que precisamos para ver e aprender com ela, sendo justamente este espaço de mediação que a torna concreta, conquanto possamos abrir devidamente olhos e ouvidos. Sentir potenciais, responder anseios e mesmo ampliá-los, reconhecer diferentes e particularizados modos de agir e de sentir. Planejar segundo os fazeres e os quereres que os diversos indivíduos e grupos deixam aflorar de seus cotidianos.

Buscando ser mais objetivo, pode-se dizer que a GESTÃO CULTURAL articula planejamento, operacionalização e mediação. Planejamento de eventos, de programas, de ações, de processos e de políticas em cultura. Operacionalização técnica, financeira, física e humana. Mediação de agentes diversos: governamentais, não-governamentais e comunitários; empresariais, cooperativados ou informais; produtores, viabilizadores e fruidores. E segundo perspectivas temporais que vão do curto ao longo prazo.

Neste sítio o leitor encontrará artigos que ajudarão a dar contornos mais eficazes e reflexões melhor elaboradas que ajudarão e entender a GESTÃO CULTURAL.

5 comentários:

  1. luiz,parabens pela iniciativa:todos os canais de comunicação e espaços abertos para o debate no campo da cultura,das politicas culturais,é mais que bem vindo:é necessário!
    saudações:
    cleise
    pontão rede fluminense de cultura / COMCULTURA RJ
    www.comcultura.com.br

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  2. Muito bom seu artigo , caro Luiz Augusto.

    Ass: Irmânio Mafalhães

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  3. Muito bom seu artigo , caro Luiz Augusto.

    Ass: Irmânio Mafalhães

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  4. Muito bom sim e ajuda a entender esta viragem para as producoes do qe e simbolico, identitario que nos leva a entender a importancia da sociabilidade respeitando a diversidade cultural e a acultural produto das relacoes entre os povos...

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  5. Muito bom mesmo, inclusive, gostaria de fazer uma especialização nesta área.

    Parabéns.

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